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Quintas Concertantes - 19ª Semana de Museus

Publicado em 20/05/21 14:55 , Atualizado em 20/05/21 15:03 | Acessos: 182

Nesta quinta feira, dia 20/05, a partir das 16h, o violinista Álisson Berbert apresenta os Caprichos nº 1 e nº 2 para violino solo, de Marcos Salles, e cinco peças da série 26 Prelúdios Característicos e Concertantes para violino só, de Flausino Vale. O vídeo estará disponível no canal do Museu Villa-Lobos no YouTube e em nossas redes sociais.

O evento integra a série Quintas Concertantes, projeto desenvolvido entre o Museu Villa-Lobos e o Instituto Villa-Lobos, da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), e faz parte da 19ª Semana de Museus, promovida pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram). 

A performance musical de Álisson Berbert celebra o encontro entre a dimensão artística e pedagógica na obra de dois compositores - contemporâneos de Villa-Lobos - que se dedicaram à busca de uma linguagem genuinamente brasileira para o violino solo.

Os dois compositores apresentados neste recital são analisados com maestria por Álisson Berbert, em sua tese de doutorado intitulada “Marcos Salles, Flausino Vale e Nicolò Paganini: análise comparativa entre caprichos e prelúdios para violino solo”, defendida na UNIRIO em 2020. De acordo com Berbert, na literatura brasileira ainda são reduzidos os estudos técnicos voltados para a formação técnica do violinista.

 

Sobre os compositores

Marcos Raggio Salles (1885-1965) - violinista, compositor e professor foi o primeiro brasileiro que se tem registro a escrever um conjunto de obras para o violino desacompanhado. Dedicou seu trabalho à elevação da produção musical violinística brasileira aos níveis de virtuosismo das obras de violinistas-compositores europeus. Nasceu em Salvador, mas viveu a maior parte de sua infância e juventude em Belém, onde iniciou seus estudos de violino. Compôs desde músicas com interesse didático, exercícios técnicos, estudos e obras de exigência técnica avançada. 

Ingressou no Conservatório Carlos Gomes, estudou com o violinista italiano Luigi Sarti (1861-1912) e aperfeiçoou-se na Itália. De volta ao Brasil, teve uma ativa carreira musical, tocando em diversas cidades, como Salvador, Belém, Manaus, Vitória e Rio de Janeiro. Em 1936, colaborou com Oscar Lorenzo Fernandez (1897-1948) na criação do Conservatório Brasileiro de Música, onde atuou como professor de violino. No mesmo período, lecionou canto em instituições ligadas ao programa de canto orfeônico coordenado por Heitor Villa-Lobos (1887-1959). Implementou um sistema de musicalização próprio denominado  Manu Pauta. A aplicação deste método voltado para o ensino de trabalhadores, homens e mulheres de baixa renda e baixo índice de alfabetização, no Liceu de Artes e Ofícios no Rio de Janeiro chamou a atenção de Frei Pedro Sinzig (1876-1952), ultrapassando os limites da instituição.

Marcos Salles acreditava na autonomia do violino. Inspirado em Nicolò Paganini Salles investigou as potencialidades técnicas e harmônicas do violão a fim de transportá-las para o violino desacompanhado. Neste caminho, compôs 26 peças para violino solo, inclusive, sete caprichos completos. Apesar da relevância histórica para o violino brasileiro, Marcos Salles continua pouco conhecido entre os violinistas da atualidade. A primeira audição integral de seus Caprichos para violino solo , dois deles apresentados neste programa, ocorreu em 2015, mais de 100 anos após sua criação. 

Flausino Vale (1894-1954) nasceu em Barbacena (MG), mas viveu praticamente toda a vida adulta em Belo Horizonte. Sua formação violinística, cerca de quatro anos de estudo, foi com o tio materno João Augusto Campos,  em Barbacena. Vale se transferiu para Belo Horizonte em 1912 no intuito de prosseguir nos estudos do violino, fato que não ocorreu na prática. Na capital mineira, enquanto conduzia a vida de violinista integrando orquestras de cinemas e tocando em eventos cursou a faculdade de Direito formando-se em 1923. Como inúmeros intelectuais do período, atuou como violinista, professor de história da música e exerceu a profissão de advogado. Deixou artigos em jornais, revistas e um livro de poesias intitulado Calidoscópio (1923). Em 1927, ingressou como professor de História da Música no Conservatório Mineiro de Música. No início da década de 1930, acumulou os cargos de professor do conservatório, advogado e spalla da Sociedade de Concertos Sinfônicos.

Pesquisou as raízes da música brasileira, expressando seu entendimento sobre as influências deixadas pela cultura indígena, africana e europeia no livro Elementos do Folclore Musical Brasileiro (1936) e, ainda, publicou Músicos Mineiros (1948). A coleção de vinte e seis prelúdios para violino solo, escrito entre 1922 e a década de 1940, foi sua obra de maior destaque. 

Era considerado um violinista que encantava pela espontaneidade e virtuosidade com o instrumento. O crítico musical Celso Brant (1947) em artigo no jornal Diário da Tarde de Belo Horizonte, noticiando a palestra de Villa-Lobos no Conservatório Mineiro de Música, em Belo Horizonte, transcreveu a primeira impressão do compositor dos Choros e Bachianas sobre o violinista, após ouvi-lo em seu apartamento no Rio de Janeiro. Também o musicólogo Andrade Muricy (1948) registrou em artigo jornalístico o encontro de Flausino Vale com Villa-Lobos, no Conservatório Nacional de Canto Orfeônico, no Rio de Janeiro.

A produção musical de Vale contempla os mais diversificados formatos: peças para violino e piano, violino solo, obras para orquestra, além de diversos arranjos. Vale dispensou atenção especial às obras para violino sem acompanhamento, ou para ‘violino só’, como denominou. Seus prelúdios são peças de curta duração, com estrutura musical simples onde o compositor utiliza variados recursos técnicos violinísticos. As referências temáticas desta obra estão associadas à cultura popular e folclórica. Em carta escrita a Curt Lange, em 1953, o compositor expressa o desejo de ver seus prelúdios utilizados também como estudos de aperfeiçoamento técnico (FRÉSCA, 2010, p. 151). Vale acreditava que seus prelúdios poderiam ser utilizados tanto nas salas de concertos quanto para fins didáticos, na forma de estudos técnicos para o violino. 

 

Sobre o intérprete

Álisson Berbert foi premiado no concurso Jovem Músico BDMG 2017 e finalista do 15º Concurso Nacional de Cordas Paulo Bosísio. Iniciou seus estudos no instrumento aos 12 anos de idade com o professor Bruno Corrêa. Já participou de masterclasses com Paulo Bosísio, Cecília Guida, Cláudio Cruz, Evgueni Ratchev, Alejandro Drago, Carmelo de los Santos e Cynthia Miller Freivogel. É Doutor em Música pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), Mestre em Música pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Bacharel em Violino pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) e Técnico Administrativo em Educação/Músico pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). 


Programa:

Marcos Salles| Caprichos para violino solo

Capricho nº 1

Capricho nº 2

 

Flausino Vale| 26 Prelúdios Característicos e Concertantes para violino só

Prelúdio nº 5, “Tico-tico” - a Marcos Salles

Prelúdio nº 7, “Sonhando” - a Leonidas Autuori

Prelúdio nº 14, “A Porteira da Fazenda” - a Villa-Lobos

Prelúdio nº 22, “Mocidade Eterna” - a Orlando Frederico

Prelúdio nº 1, “Batuque” - a Jacinto de Meis

 

Saiba mais sobre o assunto:

https://www.revistas.ufg.br/musica/article/view/45272/22423

https://canalparaviolinistas.com/marcos-salles-o-primeiro-compositor-para-o-violino-solo-do-brasil/