Instituto Brasileiro de Museus

Museu Villa-Lobos

Cronologia

Datas e acontecimentos importantes na vida de Villa-Lobos e no mundo musical brasileiro, além de alguns fatos políticos importantes e de um grande número de imagens, são o que você irá encontrar nesta cronologia, dividida em décadas.

DE 1870 A 1900

1870
Por volta desse ano, o compositor e flautista Joaquim Antônio da Silva Callado (1848-1880) – considerado o “pai” dos chorões – forma seu mais famoso conjunto, o Choro Carioca. Nesse momento a palavra “choro” designa apenas “conjunto musical”. Somente na década de 1910 é utilizada para definir o gênero musical.

1887
Nasce Heitor Villa-Lobos, no dia 5 de março, no Rio de Janeiro, na Rua Ipiranga, bairro de Laranjeiras, filho de Noêmia e Raul Villa-Lobos.

Nasce, no Rio de Janeiro, o compositor, regente e professor Oscar Lorenzo Fernandez (1887-1948) que, além de sua carreira artística e como didata, luta, ao lado de Villa-LobosLuciano GalletMário de AndradeCamargo Guarnieri e Francisco Mignone, pela consolidação do nacionalismo musical.

1888
Em 13 de maio, a Princesa Isabel assina a Lei Áurea, abolindo a escravatura no Brasil.

1889
Dedicada à Princesa Isabel, estreia, no Rio de Janeiro, a ópera “O Escravo”, de Carlos Gomes (1836-1896), compositor brasileiro, nascido em Campinas, estado de São Paulo.

O comendador Carlos Monteiro e Souza, agente de Thomas Edson no Brasil, apresenta o fonógrafo ao imperador Dom Pedro II.

Pondo fim ao Império liderado por Dom Pedro II, é proclamada, em 15 de novembro, a República no Brasil, pelo marechal Deodoro da Fonseca, que assume o Governo Provisório.

1890
Alexandre Levy (1864-1892), compositor brasileiro de origem judaica francesa e suíça, compõe a “Suíte Brasileira”, um dos marcos do nacionalismo musical brasileiro.

1891
O compositor Alberto Nepomuceno (1864-1920), nascido em Fortaleza, capital do estado do Ceará, escreve, em Berlim, a “Série Brasileira”, da qual faz parte o “Batuque”, que os críticos brasileiros da época julgaram um “verdadeiro ultraje à divina arte”.

É promulgada a primeira Constituição da República brasileira.

O marechal Deodoro da Fonseca renuncia e o marechal Floriano Peixoto assume a presidência do Brasil.

1892 e 1893
Devido a uma perseguição sofrida por seu pai, que havia escrito artigos na imprensa carioca contra o marechal Floriano Peixoto, sua família vê-se obrigada a fugir do Rio de Janeiro. Durante uns seis meses, viajam pelo interior dos estados do Rio de Janeiro (Sapucaia) e de Minas Gerais (Bicas e Sant’Ana de Cataguazes). Datam dessa época as primeiras impressões musicais e o início do aprendizado do violoncelo, através de uma viola adaptada.

1892
Carlos Gomes compõe e faz estrear, no Rio de Janeiro, o oratório “Colombo”, escrito para comemorar o quarto centenário do descobrimento da América.

1893
No Rio de Janeiro, nasce Luciano Gallet (1893-1931), pianista, compositor e folclorista de ascendência francesa. É companheiro de Villa-Lobos, como instrumentista, nas orquestras de salão do início do século XX.

Em São Paulo, capital do estado de São Paulo, nasce aquele que vem a ser um dos mentores do modernismo brasileiro nas artes: o escritor, pesquisador de folclore e professor Mário de Andrade (1893-1945).

1894
Morre Xisto Bahia (1841-1894), considerado um dos grandes nomes que vêm formar as bases da música popular brasileira.

Prudente de Morais é eleito presidente da República, sendo o primeiro civil a ocupar esse posto e o primeiro a ser eleito através do voto direto.

1895
Primeiro baile de máscaras do Teatro Fênix Dramático, no Rio de Janeiro, que destaca a presença de mulatas dançando o maxixe ao som da orquestra regida por Anacleto de Medeiros.

Sob a direção de José Veríssimo, é criada a “Revista Brasileira”, que se transforma na base de organização da Academia Brasileira de Letras (ABL). A publicação reúne intelectuais como Machado de Assis.

1897
No Rio de Janeiro, nasce o flautista, saxofonista e compositor Alfredo Vianna da Rocha Filho, o Pixinguinha(1897-1973).

Francisco Mignone, compositor, pianista, regente, professor e escritor de ascendência italiana, nasce em São Paulo (1897-1986).

1898
Freqüenta, com o pai, a casa de Alberto Brandão, onde trava contato com a música nordestina. Ali, reúnem-se cantadores, seresteiros e folcloristas como Sílvio RomeroBarbosa Rodrigues.

Campos Sales, de São Paulo, é eleito presidente da República.

Alfredo Segreto realiza a primeira filmagem no Brasil.

1899
Morre, de varíola, no Rio de Janeiro, Raul Villa-Lobos.

A pedido do Cordão Rosa de Ouro, Chiquinha Gonzaga(1847-1935), autora de peças instrumentais, canções e operetas, escreve um de seus grandes êxitos, a marcha carnavalesca “Ô Abre Alas”, vinte anos antes de fixar-se esse gênero de música.

1900
Compõe, para violão, sua primeira peça – “Panqueca” – em homenagem à sua mãe, Noêmia.

DE 1901 A 1910

1902
O tcheco Fred Figner coloca à venda, em sua loja – a Casa Edson – à Rua do Ouvidor, centro do Rio de Janeiro, os primeiros gramofones e os primeiros discos gravados no Brasil e fabricados na Alemanha.

Alberto Nepomuceno assume a direção do Instituto Nacional de Música (atual Escola de Música da UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro) e inicia forte campanha pelo canto em português, compondo, desde então, quase exclusivamente em língua nacional.

O paulista Rodrigues Alves é eleito presidente da República.

1903
Vai morar com a tia Fifina, para ter maior liberdade de contato com os chorões.

Em Ubá, estado de Minas Gerais, nasce Ary Barroso(1903-1964), compositor de canções que tanto sucesso fizeram e fazem no Brasil e no exterior, além de pianista, locutor esportivo e grande divulgador da música brasileira.

1904
Nasce Lamartine Babo (1904-1963), famoso compositor de marchinhas carnavalescas como “O Teu Cabelo Não Nega” – em parceria com os Irmãos Valença – e de hinos de times de futebol.

São inauguradas as obras para a abertura da Avenida Central – atual Avenida Rio Branco – que é transformada num típico bulevar francês. O projeto é parte do programa de remodelação urbana e de saneamento da capital da República, implementado pelo engenheiro Pereira Passos, prefeito da cidade do Rio de Janeiro nomeado pelo presidente da República, Rodrigues Alves, que lhe confere plenos poderes para a implementação das reformas de modernização da então capital do Brasil.

1905-1912
Viaja pelo interior do Brasil, conhecendo o país, o povo e seus hábitos, cantos e danças.

1905
Francisco Braga (1868-1945), compositor nascido no Rio de Janeiro, escreve, por encomenda do prefeito Pereira Passos, o “Hino à Bandeira”, com versos do poeta Olavo Bilac.

Nasce, no estado do Pará, o compositor e pianista Waldemar Henrique (1905-1945), que vem a se destacar, sobretudo, como autor de canções baseadas no folclore amazonense.

1906
Vende os livros mais caros herdados de seu pai e parte para o Nordeste do Brasil, passando pelo Espírito Santo e chegando até os estados da Bahia e de Pernambuco. Além das capitais desses últimos, embrenha-se nos seus sertões, passando pequenas temporadas em engenhos e fazendas. Ouve e recolhe muitos temas e canções populares que, futuramente, vêm compor, em parte, o “Guia Prático – 1º Volume”.

Em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, nasce o autor das “Brasilianas”, o compositor, pianista, arranjador e regente Radamés Gnattali (1906-1988), que vê sua carreira dividida entre o universo clássico e o popular. Dirige a orquestra da Rádio Nacional do Rio de Janeiro em sua fase áurea.

Afonso Pena, natural de Minas Gerais, é eleito presidente da República.

Em Paris, Santos Dumont realiza, pela primeira vez em todo o mundo, o vôo público de um aeroplano, o 14-Bis.

1907
Morre Anacleto de Medeiros (1866-1907), chorão, instrumentista versátil e organizador da primeira Banda do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro. É autor da melodia “Yara”, que recebe letra do maranhense Catullo da Paixão Cearense (1866-1946) e, com esta, passa a ser intitulada “Rasga o Coração”. Essa canção é utilizada por Villa-Lobos em seu “Choros Nº 10”.

Em Tietê, Estado de São Paulo, nasce o compositor Mozart Camargo Guarnieri (1907-1993), filho de pai italiano e mãe brasileira, que vem encontrar, em Mário de Andrade, um grande orientador. .

Nasce o compositor José Siqueira (1907-1985), em Conceição, estado da Paraíba. É considerado um dos organizadores da vida musical carioca, impondo à sociedade local da época uma consciência musical.

1908
Compõe os “Cânticos Sertanejos” para pequena orquestra, e a primeira das peças (“Mazurka-Choro”) que formariam a “Suíte Popular Brasileira”, concluída em 1923.

Matricula-se no Instituto Nacional de Música para tomar aulas com Frederico Nascimento e Agnello França, este último um dos poucos colegas a quem o compositor mostra suas obras.

1909
Nasce, em Portugal, a cantora, atriz e dançarina Carmen Miranda (1909-1955), que vem a ser a “pequena notável” para os brasileiros e “Brazilian bombshell” para os norte-americanos, e que, a partir da década de 1940, se torna, ao lado de Villa-Lobos, na área da cultura, uma das peças-chave da política de “boa vizinhança” criada pelos EUA.

Inauguração do Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

O poeta Osório Duque Estrada escreve a letra do Hino Nacional tal como é cantada hoje. Francisco Manuel da Silva (1795-1865), autor da música escrita em 1831, não imaginava estar compondo o futuro hino oficial do Brasil.

1910
É contratado como violoncelista de uma companhia de operetas que se dissolve no Recife. Vai a Fortaleza, Belém, Amazonas e chega até a ilha de Barbados, onde começa a escrever as “Danças Características Africanas”.

No bairro de Vila Isabel, cidade do Rio de Janeiro, nasce o compositor Noel Rosa (1910-1937). Deixa, apesar de seus breves 26 anos de vida, uma quantidade surpreendente de músicas e sucessos como “Feitiço da Vila”, “Três apitos”, “Com que Roupa” e “Palpite Infeliz”.

Eleito presidente da República o marechal Hermes da Fonseca.

Inaugurada, no Rio de Janeiro, a Biblioteca Nacional – hoje Fundação Biblioteca Nacional – a maior da América Latina.

DE 1911 A 1920

1911
Nasce em Cambuquira, Estado de Minas Gerais, José Vieira Brandão (1911-2002), pianista, compositor e regente coral, além de intérprete, colaborador e amigo pessoal de Villa-Lobos.

1912
Conhece a pianista Lucília Guimarães.

Compõe sua primeira grande ópera, “Izaht”, com libreto de Fernando Azevedo Júnior e do próprio Villa-Lobos, que o assina sob o pseudônimo de Epaminondas Villalba Filho. A obra é resultado da fusão de duas outras óperas de sua autoria, “Aglaia” e “Elisa”.

Na cidade de Exu, estado de Pernambuco, nasce o famoso autor de “Asa Branca”, Luiz Gonzaga (1912-1989), o “Rei do Baião”, que também fica conhecido como Gonzagão.

No Rio de Janeiro, é inaugurado o bondinho do Pão de Açúcar.

1913
Em 12 de novembro, casa-se com Lucília Guimarães, que vem a ser uma grande colaboradora sua.

A Casa Edson instala, à Rua 28 de Setembro, na cidade do Rio de Janeiro, a fábrica de discos Odeon, a primeira da América do Sul.

1914
Nair de Teffé, esposa do então presidente Hermes da Fonseca, apresenta, ao violão, em recepção oficial no Palácio do Catete – sede do governo brasileiro – aquele que vem a ser um dos maiores sucessos de Chiquinha Gonzaga: “Gaúcho”, mais conhecido como “O Corta-Jaca”.

Falece, no Rio de Janeiro, Glauco Velásquez (1883-1914), compositor nascido na Itália, filho do barítono português Eduardo Medina Ribas e de uma jovem de importante família carioca. Admirado por Luciano Gallet e considerado genial por Darius Milhaud, abraça, em suas últimas obras, a estética da vanguarda européia.

Nasce em Petrópolis, estado do Rio de Janeiro, o compositor, professor e folclorista César Guerra-Peixe(1914-1993).

Nasce Dorival Caymmi, compositor baiano que escreve, entre diversos sucessos, “O que É que a Baiana Tem”, imortalizado por Carmen Miranda.

O Império Austro-húngaro declara guerra à Sérvia, deflagrando o início da I Guerra Mundial.

Wenceslau Brás é eleito predidente do Brasil.

1915
Realiza, em 29 de janeiro, no Teatro Dona Eugênia, em Nova Friburgo, estado do Rio de Janeiro, o primeiro recital com obras de sua autoria. Ao violoncelo, o compositor, e, ao piano, Lucília Villa-Lobos.

Na então capital do Brasil – a cidade do Rio de Janeiro – é promovido o primeiro concerto com obras de sua autoria no Salão Nobre da Associação dos Empregados do Comércio, causando reações de espanto em críticos de renome da época, pelo ousado tratamento harmônico empregado pelo compositor em suas obras.

Dá início à composição do ciclo de 17 quartetos de cordas, que viria ser concluído em 1957.

Hans-Joachim Koellreutter (d. 2005), compositor and musicólogo que introduziria o dodecafonismo no Brasil, nasce em Freiburg im Breisgau, Alemanha.

1916
A “Revista do Brasil” – publicação dedicada a resgatar os valores da cultura nacional e discutir os principais problemas do País – é lançada em São Paulo, sob a direção de Monteiro Lobato, o famoso autor de clássicos da literatura infantil que tinham como cenário o Sítio do Pica-pau Amarelo.

1917
Conhece o compositor Darius Milhaud – então secretário de Paul Claudel na Legação da França no Rio de Janeiro -, de quem fica amigo e a quem apresenta os terreiros de macumba, os chorões e a música carnavalesca.

Compõe os balés “Amazonas” e “Uirapuru”, duas de suas mais importantes produções sinfônicas, baseadas em argumentos escritos, respectivamente, por Raul Villa-Lobos e pelo próprio compositor.

Donga (1889-1974), compositor de choros e sambas, e amigo de Villa-Lobos, consagra-se com o sucesso de “Pelo telefone”, com letra de Mauro de Almeida.

Zequinha de Abreu (1880-1935), paulista de Santa Rita de Passa Quatro, compõe o choro “Tico-Tico no Fubá”, que vem a ser imortalizado na voz de Carmen Miranda.

1918
Conhece o pianista Arthur Rubinstein, de quem se torna amigo e de quem recebe grande apoio para sua projeção internacional.

Compõe “A Prole do Bebê N° 1” para piano solo.

Em Curitiba, capital do estado do Paraná, nasce Alceo Bocchino, compositor, regente e pianista, sendo, ainda, colaborador de Villa-Lobos.

Pela segunda vez, Rodrigues Alves se elege presidente da República. Passados oito meses, contrai a gripe espanhola, e o vice-presidente Delfim Moreira ocupa seu lugar.

Fim da I Guerra Mundial.

1919-1935
Compõe as “Canções Típicas Brasileiras” para canto e piano. Para escrevê-las o autor se utiliza das gravações de canções indígenas realizadas por Roquette Pinto, quando da viagem deste pelo interior do Amazonas em 1911.

1919
Estreia, na sala de espera do cinema Palais, no Rio de Janeiro, o conjunto Os Oito Batutas, tendo em sua formação, entre outros, Pixinguinha e Donga.

Nasce em Manaus, capital do estado do Amazonas, o compositor e regente Claudio Santoro, cuja produção carrega forte influência dos ensinamentos obtidos com Koellreutter. Morre em 1989, durante um ensaio no Teatro Nacional de Brasília.

Com a morte do presidente Rodrigues Alves, novas eleições são marcadas e o pleito é vencido por Epitácio Pessoa.

1920
Escreve o “Choros N° 1”, para violão, dando início à criação do monumental ciclo de 14 “Choros” (concluído em 1929), escritos para as mais diversas formações camerísticas e sinfônicas, e com dedicatórias, entre outros, a figuras importantes do mundo das artes: Ernesto NazarethMário de AndradeTarsila do AmaralOswald de AndradeArthur Rubinstein e Tomás Terán.

Mário de Andrade escreve “Paulicéia Desvairada”. Poemas desse livro vêm a ser declamados pelo autor na Semana de Arte Moderna, em 1922, sob vaias. Essa obra não é apenas sua libertação, o “estouro” – como ele próprio diz -, como representa, também, a libertação da própria poesia brasileira, que, a partir de então, busca o seu rumo no sentido da nacionalização.

DE 1921 A 1930

1921
Dá início à composição do “Rudepoema”, obra concluída no ano de 1926. Partitura das mais complexas da literatura pianística villa-lobiana, é dedicada a Arthur Rubinstein.

1922
No Theatro Municipal do Rio de Janeiro, Arthur Rubinstein faz a estreia da “Prole do Bebê N° 1”.

A convite do escritor e diplomata Graça AranhaVilla-Lobos participa, como único compositor, da Semana de Arte Moderna, ou Semana de 22, como também fica conhecida, realizada no Theatro Municipal de São Paulo, com o objetivo de mudar conceitos estéticos e lançar as sementes de uma arte genuinamente brasileira. Dela tomam parte, entre outros, artistas e intelectuais como Mário de AndradeTarsila do AmaralOswald de AndradeMenotti Del PicchiaRonald de Carvalho e Guilherme de Almeida.

Luciano Gallet apresenta, no Instituto Nacional de Música, no Rio de Janeiro, recital com obras de 30 compositores brasileiros. A reação por parte dos freqüentadores do Instituto é tão violenta que se faz necessária intervenção policial para sua realização. Entre os autores está Ernesto Nazareth (1863-1934), compositor e pianista que escreve, entre muitas outras obras, “Odeon”, “Apanhei-te Cavaquinho” e “Brejeiro”.

Nasce, em Santos, o compositor Gilberto Mendes, fundador dos Festivais de Música Nova de Santos.

Arthur Bernardes é eleito presidente da República.

1923
Subsidiado pelo Congresso Brasileiro, faz sua primeira viagem à Europa, desacompanhado (sem Lucília Villa-Lobos), à bordo do navio Groix, tendo como destino final Paris, onde permanece até 1924, com a ajuda de um grupo de amigos: Carlos GuinleArnaldo GuinleLaurinda Santos LoboGraça AranhaOlívia Guedes PenteadoPaulo PradoConselheiro Antônio Prado e Geraldo Rocha. Nesse mesmo ano, o soprano Vera Janacópulos e a violonista Yvonne Astruc apresentam, em concerto, algumas de suas criações.

Escreve o “Noneto” – subtitulado “Impressão Rápida de Todo o Brasil” – e o dedica a Olívia Guedes Penteado.

Em Baden-Baden, Alemanha, nasce um dos biógrafos de Villa-Lobos, o compositor Bruno Kiefer (1923-1987), que, aos 11 anos, transfere-se para o Brasil (Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul), tendo sido aluno de Koellreutter.

O compositor e regente alemão Richard Strauss, em turnê pela América do Sul, inclui, em seu repertório, a “Congada” de Francisco Mignone.

1924
Na Salle des Agriculteurs, sob o patrocínio da Embaixada do Brasil na França, acontece o primeiro concerto dedicado, exclusivamente, a obras de sua autoria, em solo francês. Do evento participa, entre outros, Arthur Rubinstein. Nessa ocasião, estreiam duas de suas obras escritas em 1923, em Paris: o “Poème de l’Enfant et Sa Mère” e o “Noneto”.

Conhece o violonista espanhol Andrés Segóvia.

1925
Regressa ao Brasil, realizando concertos no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Na Argentina e no Uruguai atende a convite da Sociedade Wagneriana, apresentando-se em Buenos Aires e Montevidéu.

1926-1943
Com textos de Manuel BandeiraCarlos Drummond de AndradeRonald de Carvalho e David Nasser, entre outros, dá início à composição das “Serestas”, para canto e piano.

1926
Morre o compositor, violonista e “chorão” Sátiro Bilhar, a quem Villa-Lobos dedica, em 1931, o movimento “Fuga (Conversa)” da “Bachianas Brasileiras Nº 1”.

Washington Luís, natural de São Paulo, é eleito presidente da República.

1927
Realiza sua segunda viagem à Europa, desta vez em companhia de Lucília Villa-Lobos, residindo por três anos em Paris, onde, inclusive, promove a primeira audição de algumas obras suas, como o “Rudepoema” (por Arthur Rubinstein) e “Choros” de câmara (Nº 2, 3, 4 e 7).

Arthur Rubinstein convence o mecenas Carlos Guinle a patrocinar a publicação de obras de Villa-Lobos pela editora Max-Eschig.

Em São Paulo, capital do estado de São Paulo, nasce o compositor Osvaldo Lacerda.

Nasce, na Suíça, o compositor e professor Ernst Widmer(1927-1990), que se radica em Salvador, estado da Bahia. Ali, torna-se o mentor intelectual dos compositores baianos da época, além de ocupar quase todos os mais importantes cargos de ensino da UFBA – Universidade Federal da Bahia.

1928 e 1929
Compõe os “12 Estudos” para violão e os dedica a Andrés Segóvia.

1928
Fundada a primeira Escola de Samba do Brasil, a “Deixa Falar”, por Ismael Silva e outros sambistas, no bairro do Estácio, Rio de Janeiro.

Nasce em Brusque, estado de Santa Catarina, o compositor Edino Krieger, que vem a ser discípulo de Koellreutter. Entre 1953 e 1954, escreveria a “Sonata nº 1” para piano, cujo movimento “Seresta” receberia o subtítulo “Homenagem a Villa-Lobos”. No final dos anos 60, idealiza os Festivais da Guanabara que, mais tarde, vêm a se transformar nas Bienais de Música Contemporânea.

Compositor e regente, responsável, inclusive, pelas primeiras audições mundiais de “Gênesis” e “Dança dos Mosquitos” de Villa-LobosMário Tavares (1928-2003) nasce em Natal, capital do estado do Rio Grande do Norte.

O compositor italiano Ottorino Respighi, também regente, de passagem pelo Brasil, inclui, em seu repertório, o “Maxixe” de Francisco Mignone.

Mário de Andrade publica “Ensaio sobre a Música Brasileira” e “Macunaíma – o Herói Sem Nenhum Caráter”. Neste último narra a epopéia e o lirismo, a mitologia e o folclore, a história e o linguajar popular brasileiros através de seu personagem-título, que vem a ser uma síntese das virtudes e dos defeitos do brasileiro comum.

1929
Compõe o “Momoprecoce”, fantasia para piano e orquestra baseada em sua série para piano solo “Carnaval das Crianças”. A obra é dedicada a Magda Tagliaferro.

1930
Regressa ao Brasil no navio Araçatuba, dirigindo-se a São Paulo, e dá início a dois marcos em sua vida: a composição das 9 “Bachianas Brasileiras” (dedicadas, entre outros, a nomes como o violoncelista Pablo Casals e o compositor Aaron Copland) e o projeto de educação musical. Este último é levado a cabo graças ao conhecimento travado anteriormente com o interventor do estado de São Paulo, João Alberto.

Getúlio Vargas (1882-1954) lidera a revolução que depõe o presidente da República Washington Luís, e assume a presidência do Governo Provisório.

O médico e compositor Joubert de Carvalho (1900-1977), mineiro de Uberaba, compõe para Carmen Miranda um dos maiores sucessos da cantora, a marchinha “T’aí (Pra você gostar de mim)”.

Ernst Mahle nasce em Stuttgart, Alemanha. Compositor, vem para o Brasil em 1951, mais especificamente para Piracicaba, interior do estado de São Paulo. É discípulo de Koellreutter.

Luciano Gallet funda a Associação Brasileira de Música, fruto de seu descontentamento com os rumos da música brasileira.

DE 1931 A 1940

1931-1959
Camargo Guarnieri escreve a série de 50 peças para piano intitulada “Ponteios”, considerada seu ápice no domínio da técnica pianística.

1931
Excursiona com a Caravana de Arte Brasileira, com a finalidade de levar música a 54 cidades do interior paulista. Fazem parte da Caravana os pianistas Lucília Villa-LobosGuiomar NovaesAntonieta Rudge Müller e João de Souza Lima; o violinista belga Maurice Raskin; e as cantoras Nair Duarte Nunes e Annita Gonçalves.

Anísio Teixeira integra-se a uma comissão do Ministério da Educação e Saúde encarregada de estudar a reorganização do ensino secundário no país, e, na condição de Secretário de Educação, convida Villa-Lobos a organizar e dirigir a SEMA – Superintendência de Educação Musical e Artística. Tal convite é conseqüência do trabalho iniciado pelo compositor em São Paulo e levado ao conhecimento do presidente Getúlio Vargas e do prefeito do Distrito Federal (Rio de Janeiro) Pedro Ernesto, através de João Alberto.

Realiza, na cidade de São Paulo, a primeira grande concentração orfeônica a que chama de Exortação Cívica, reunindo cerca de 12.000 vozes.

Ernesto Nazareth escreve o “Improviso – Estudo para Concerto” para piano, dedicado “ao distinto amigo Villa-Lobos“.

É criado o Ministério da Educação e Saúde.

O ensino do idioma inglês é declarado obrigatório nas escolas secundárias.

É inaugurada, no Rio de Janeiro, a estátua do Cristo Redentor.

1932
Conhece Arminda Neves d’Almeida, a Mindinha (1912-1985), que vem a ser sua segunda mulher e a quem dedica mais de 50 de suas composições.

No Rio de Janeiro, assume a direção da SEMA – Superintendência de Educação Musical e Artística.

É instituído o ensino obrigatório de música e canto orfeônico nas escolas.

É criado o Curso de Pedagogia de Música e Canto Orfeônico, ministrado por Villa-Lobos. Daí surge o Orfeão de Professores.

Empreende uma demonstração pública de 13.000 vozes, constituída por alunos das escolas primárias, secundárias e do Instituto de Educação, além do Orfeão dos Professores. Esses espetáculos corais ao ar livre, mais conhecidos como “concentrações orfeônicas”, chegam a reunir até 44.000 vozes.

Promove, pela primeira vez no Brasil, uma série de concertos didáticos, voltados para a juventude, realizados no Theatro Municipal do Rio de Janeiro sob a regência de Walter Burle-Marx.

Organiza o “Guia Prático – 1º Volume”, contendo 137 canções folclóricas por ele arranjadas, destinadas à iniciação musical nas escolas.

1933
Com letra de C. Paula Barros, compõe o “Canto do Pajé”, música emblemática de seu trabalho de educação musical.

1934
É promulgada uma nova Constituição brasileira, que preserva o regime federativo e assegura eleições por voto universal e direto para todos os cargos executivos, de presidente da República a governadores e prefeitos. Getúlio Vargas prossegue à frente do governo federal, agora como presidente eleito pela Assembléia Constituinte.

1935-1938
À frente do Departamento de Cultura de São Paulo, Mário de Andrade empreende, juntamente com colaboradores, várias pesquisas etnográficas em São Paulo e outros estados do Sudeste, além do Centro-Oeste, Norte e Nordeste brasileiros.

1935
Participa da comitiva do presidente Getúlio Vargas na viagem oficial à Argentina, por ocasião do Terceiro Congresso Pan-Americano de Comércio. No Teatro Colón, em Buenos Aires, sob sua regência, é apresentado o balé “Uirapuru”, em estreia mundial.

Inauguradas a Rádio Tupi de Assis Chateaubriand com programação popular e a Rádio JB do Conde Ernesto Pereira Carneiro, que prometia uma programação sofisticada e de alto padrão cultural.

1936-1937
Compõe as peças “Plantio do Caboclo”, “Impressões Seresteiras”, “Festa no Sertão” e “Dança do Índio Branco” que formam o “Ciclo Brasileiro” para piano solo.

1936
Viaja à Europa, como representante do Brasil, para o Congresso de Educação Musical, em Praga. No entanto, por problemas mecânicos no dirigível Hindenburg, no qual havia embarcado, não chega a participar do evento. Ainda assim, lhe é dada uma sessão extra onde promove uma conferência sobre o ensino musical no Brasil.

De Berlim escreve a Lucília, encerrando o relacionamento do casal; em seu retorno, une-se à sua ex-aluna e colaboradora Arminda Neves d’Almeida.

Sob a regência de Villa-Lobos, estreia o bailado “Amáia”, de Lorenzo Fernandez.

Inaugurada a Rádio Nacional, líder de audiência de populares programas de auditório durante anos.

1937
Compõe, sob encomenda do Instituto de Cacau da Bahia, as 4 suítes “Descobrimento do Brasil”, que servem de trilha sonora para o filme de mesmo nome, de Humberto Mauro.

Inicia-se um novo período político no Brasil, o Estado Novo, que dura oito anos. A ditadura imposta por Getúlio Vargas é justificada como forma de evitar “o comunismo e a democracia anárquica”.

Chega ao Brasil, como imigrante, o musicólogo, professor e compositor alemão Hans-Joachim Koellreutter, que introduz no Brasil o dodecafonismo.

“Carinhoso”, composição originalmente instrumental de Pixinguinha, recebe letra de João de Barro, o Braguinha (1907-2006). Esta versão é gravada, pela primeira vez, ainda em 1937, por Orlando Silva (1915-1978).

1938-1942
Francisco Mignone compõe, para piano solo, as “12 Valsas de Esquina” que retratam o ambiente dos chorões do início do século XX.

Nasce, no Recife, capital de Pernambuco, o compositor Willy Correia de Oliveira.

1939
É encenado, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, o musical “Joujoux et Balangandans”, escrito por Henrique Pongetti, que traz uma canção inédita de Ary Barroso, a mundialmente famosa “Aquarela do Brasil”, orquestrada por Radamés Gnattali.

Estreia, em sua versão completa, o bailado afro-brasileiro “Maracatu do Chico Rei” de Francisco Mignone. Ainda nesse mesmo ano, Mignone escreve “Festa das Igrejas”, uma de suas obras máximas, que vem a ser gravada por Arturo Toscanini.

Surge o grupo Música Viva, fundado por Koellreutter, com o objetivo de difundir a música contemporânea, com ênfase na produção de jovens compositores brasileiros.

Mário de Andrade cria a Sociedade de Etnologia e Folclore de São Paulo, sendo seu primeiro presidente. Organiza o 1º Congresso da Língua Nacional Cantada e projeta a criação do SPHAN – Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, atual IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

Nesse período, no Rio de Janeiro, o samba tem presença marcante. O ambiente musical ferve no Café Nice, na Galeria Cruzeiro e no Teatro Recreio.

Com a invasão da Polônia pela Alemanha, França e Inglaterra declaram guerra a esta última. Tem início a II Guerra Mundial, que teria seu fim em 1945.

1940
Compõe os “5 Prelúdios” para violão solo.

Cria o bloco “Sôdade do Cordão”, revivendo manifestações carnavalescas de sua infância.

Patrocinado pelo Departamento de Estado dos EUA, chega ao Brasil o maestro Leopoldo Stokowski para fazer dois concertos no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Na sua curta estadia, reúne, com a ajuda de Villa-Lobos, os mais legítimos representantes da música popular do momento, como PixinguinhaDongaJoão da BaianaCartola, a dupla Jararaca e Ratinho, entre outros. Esse encontro é registrado em dois álbuns de quatro discos cada, sob o título “Native Brazilian Music”.

DE 1941 A 1950

1943
É nomeado diretor do Conservatório Nacional de Canto Orfeônico, criado em 1942 pelo Governo Federal.

1944
Faz sua primeira viagem aos EUA, onde é convidado a dirigir algumas das mais importantes orquestras norte-americanas.

Recebe, no Occidental College de Los Angeles, o título “Doutor em Leis Musicais”.

1945
Escreve o primeiro dos 5 concertos para piano e orquestra. Concluídos em 1957, são dedicados, respectivamente, aos pianistas Ellen BallonJoão de Souza LimaArnaldo EstrellaBernardo Segall e Felicja Blumental.

Funda a Academia Brasileira de Música e é eleito seu primeiro presidente.

Grava, com o soprano Bidu Sayão (1902-1999), a “Ária (Cantilena)” da “Bachianas Brasileiras Nº 5”. Esta gravação, em 1983, é agraciada com o “Hall of Fame” do Grammy Awards.

Durante uma ida ao Recife, capital do estado de Pernambuco, Guerra-Peixe toma contato com o folclore pernambucano e se encanta, particularmente, com os maracatus. Tal experiência o leva a abandonar os estudos com Koellreutter e a aprofundar-se nos aspectos menos conhecidos do folclore nordestino.

Luiz Gonzaga conhece um de seus mais importantes parceiros, Humberto Teixeira (1916-1979), com quem lança, definitivamente, o baião no Sul do Brasil.

Fim da II Guerra Mundial.

1946
Falece Noêmia Villa-Lobos.

Inicia-se o movimento das sociedades arrecadadoras de direitos autorais. A música passa a sofrer influência do poder econômico e começa a surgir a “caitituagem” (visita, insistência verbal, distribuição gratuita de discos e partituras e até suborno, buscando promover, em lojas de discos, estações de rádio, estações de televisão, festas de clubes etc., a execução de composições musicais populares suas ou de outrem).

Camargo Guarnieri escreve sua “Dança Negra”, obra pianística que se torna um de seus maiores êxitos.

1947
Volta aos EUA, pela segunda vez, para escrever, em colaboração com os libretistas Robert Wright e George Forrest, o musical “Magdalena”, uma encomenda de Edwin Lester, presidente da Los Angeles Civic Light Opera Association.

Ainda nos EUA, dirige a primeira audição da “Bachianas Brasileiras Nº 3”, à frente da Orquestra da CBS, tendo o pianista José Vieira Brandão como solista.

Dirigindo a Orquestra da Academia de Santa Cecília de Roma, faz estrear a “Bachianas Brasileiras Nº 8”.

Dirige, em Roma, a estreia da “Sinfonia Nº 2” de Lorenzo Fernandez, inspirada no “Caçador de Esmeraldas” de Olavo Bilac.

1948
Eleito membro correspondente da Academia de Belas Artes do Institute de France.

Descobre estar sendo vítima de um câncer na bexiga e realiza uma primeira e bem sucedida cirurgia no Memorial Hospital de Nova York.

Encerra a composição do musical “Magdalena”. A estreia acontece nesse mesmo ano em Los Angeles. Críticos aplaudem entusiasticamente a música, fazendo, contudo, restrições ao libreto.

1949
Na Inglaterra, rege a Orquestra Sinfônica de Londres, na estreia mundial de sua “Sinfonia Nº 7”.

1950
Retorna ao posto de presidente da República, agora eleito pelo povo, Getúlio Vargas.

Revoltado contra o atonalismo utilizado pelos jovens compositores da época, Camargo Guarnieri escreve sua famosa “Carta Aberta aos Músicos e Críticos do Brasil”, onde promove a defesa da música nacionalista em detrimento do que chama de “nefanda infiltração formalista e anti-brasileira”, em referência ao dodecafonismo divulgado por Koellreutter no Brasil.

DE 1951 A 1959

1951
O Teatro Alla Scala de Milão encomenda-lhe um balé. Escreve, então, “Rudá”.

“Erosão”, primeira encomenda que lhe é feita pela Orquestra de Louisville – à qual dedica a obra -, faz sua estreia mundial nos EUA, sob a direção de Robert Whitney.

É promulgada a Lei Afonso Arinos contra a discriminação racial.

1952
Retorna ao Memorial Hospital de Nova York para nova cirurgia.

A “Sinfonia Nº 3” de Camargo Guarnieri, considerada um dos pontos altos de sua produção sinfônica, vence o concurso do IV Centenário de São Paulo e é estreada por Eleazar de Carvalho, à frente da Orquestra Sinfônica Brasileira.

1953
Dirigindo a Orquestra Sinfônica de Pittsburgh apresenta nos EUA em primeira audição o “Concerto Nº 4 para Piano e Orquestra”, tendo como solista Bernardo Segall.

É composta e estreada nos EUA a “Alvorada na Floresta Tropical”. A obra, uma encomenda da Orquestra de Louisville, à qual é dedicada, é executada pelo próprio conjunto, dirigido por Robert Whitney.

1954-1958
Grava, para a EMI da França, diversas obras de sua autoria, entre elas: as 9 “Bachianas Brasileiras”, as 4 suítes do “Descobrimento do Brasil”, o “Choros Nº 10”, o “Momoprecoce” e o “Concerto Nº 5 para Piano e Orquestra”, contando com a participação de solistas como o soprano Victoria de Los AngelesMagda TagliaferroFelicja Blumental. Essas gravações fariam parte de uma coleção de discos intitulada “Villa-Lobos par Lui-Même”.

1954
Em fevereiro recebe o título de “Doctor of Music” na Universidade de Miami, EUA.

“Odisséia de uma Raça”, obra dedicada ao Estado de Israel, é apresentada em primeira audição mundial em Haifa, pela Filarmônica de Israel, sob a regência de Michael Taube, e, no Brasil, sob a regência do próprio compositor.

No dia 24 de agosto suicida-se, no Palácio do Catete, sede do governo brasileiro, o presidente Getúlio Vargas. Justifica seu ato através de uma “carta-testamento” em que declara que as “forças e os interesses contra o povo” têm se desencadeado sobre ele e que, “resistindo a uma pressão constante, incessante”, nada mais pode dar ao povo brasileiro a não ser o seu “sangue”, e que, “serenamente”, dá o “primeiro passo no caminho da eternidade”, saindo “da vida para entrar na história”.

Café Filho é empossado presidente da República.

1955 e 1956
Estreiam o “Concerto para Harpa e Orquestra” e o “Concerto para Violão e Pequena Orquestra”, escritos para dois dos mais importantes instrumentistas de todos os tempos: o harpista Nicanor Zabaleta (1907-1993) e o violonista Andrés Segóvia (1893-1987), que são os solistas dos concertos dirigidos por Villa-Lobos, à frente, respectivamente, da Orquestra da Filadélfia e da Sinfônica de Houston.

1955
No Carnegie Hall de Nova York faz ouvir, pela primeira vez, sua “Sinfonia Nº 8”, dirigindo a Orquestra da Filadélfia.

Sociedade Alemã de Proteção aos Direitos Autorais dos Músicos e Compositores confere-lhe a medalha Richard Strauss.

Recebe do presidente da República, Café Filho, juntamente com Ary Barroso, a Ordem do Mérito. Villa-Lobos, no grau de comendador; Ary Barroso, no grau de oficial.

Em conseqüência de seu aprofundamento no estudo do folclore nordestino, Guerra-Peixe lança o livro “Os Maracatus do Recife”.

Juscelino Kubitschek é eleito presidente da República.

1956
Sob a sua direção, estreiam, nos EUA: o balé “The Emperor Jones”, escrito neste mesmo ano por encomenda do Empire State Music Festival (Nova York) e coreografado e dançado por José Limón; e a “Sinfonia Nº 11”, com a Orquestra Sinfônica de Boston, composta por encomenda desta e dedicada a Nathalie e Serge Koussevitzky.

1957
Sua “Fantasia para Violoncelo e Orquestra”, composta em 1945, e dedicada a Serge Koussevitzky, faz sua estreia norte-americana, mais precisamente em Nova York, tendo como solista o violoncelista brasileiro Aldo Parisot e o compositor como regente, à frente da Stadium Symphony Orchestra (nome da Filarmônica de Nova York enquanto contratada da CBS – Columbia Broadcasting System).

Em comemoração ao seu 70º aniversário, recebe várias homenagens.

1958
Dirige, em Bruxelas, a Orquestra Sinfônica da Bélgica, sendo recebido pela Rainha Elizabeth daquele país.

Três momentos de Villa-Lobos nos EUA:

  • Compõe, sob encomenda da MGM – Metro Goldwyn Mayer -, música para o filme “Green Mansions”, que é estrelado por Audrey Hepburn e Anthony Perkins e dirigido por Mel Ferrer.
  • Recebe o título de “Doutor Honoris Causa” da Universidade de Nova York, ocasião em que assiste à estreia de sua “Bendita Sabedoria”, obra para coro, dedicada àquela Universidade.
  • Compõe, por encomenda da Violoncello Society, a “Fantasia Concertante” para orquestra de violoncelos, cuja estreia acontece no Town Hall de Nova York, sob a batuta do compositor.

É lançado o LP “Canção do Amor Demais” de Elizeth Cardoso (1920-1990), exclusivamente com músicas de Tom Jobim (1927-1994) e Vinícius de Moraes (1913-1980), e que conta com a participação de João Gilberto. Este disco é considerado o marco do nascimento da Bossa Nova.

1959
Grava, com o soprano Bidu Sayão e a Symphony of The Air, a “Floresta do Amazonas”, título dado pelo compositor à partitura sinfônica de “Green Mansions”.

Em 12 de julho, em Nova York, no Empire State Music Festival, dirige a Symphony of the Air, naquele que seria seu último concerto. Fazem parte do programa: “Choros Nº 6”, “Papagaio do Moleque”, “Uirapuru”, “Descobrimento do Brasil – 1ª Suíte” e, em primeira audição mundial em concerto, as quatro canções da “Floresta do Amazonas”, interpretadas pelo soprano Ellinor Ross.

Falece no Rio de Janeiro, aos 72 anos, no dia 17 de novembro, sendo velado no Theatro Municipal e enterrado no Cemitério São João Batista. Na lápide de seu túmulo lê-se: “Considero minhas obras como cartas que escrevi à Posteridade sem esperar resposta”.

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